FOMO

Confined Home - Stock Illustration [21458904] - PIXTA

Fear of Missing Out. Medo de estar ‘perdendo’ alguma coisa. “Ai quero tanto ver este filme. Puxa, não consegui ir naquele espetáculo de dança. Nossa, nem acredito que ainda não li aquele livro. Um dia vou conhecer o Butão/Camboja/a Australia/California/India”. Parece outra realidade, outro mundo. Não sou a típica vítima do FOMO. Sempre tive muito pouca dificuldade em não seguir a dieta do momento, em desapegar das coisas sem ajuda da Maria Kondo (nem sei se é assim que escreve), em não seguir moda nenhuma -aliás, me orgulho disto – ou em não me achar obrigada a assistir nenhuma série de ficção cientifica, zombies ou vampiros. Sei que não vou gostar. E não é “não como e não gosto”. Em mais de 5 décadas de coexistência com uma mente curiosa e inquieta, acho que aprendi o custo benefício de muita coisa. Para mim, é claro.

Trocando mensagens com uma amiga inglesa que tem dois filhos pequenos, ela escreveu “Eu até que estou gostando do confinamento. Esquisito, né? Mas não tem mais correria. Estou gostando do silencio”. Silencio? Numa casa com filhos pequenos. Devem estar no iPad, pensei. Amarrados no armário? 🙂 Fiquei feliz por ela, desejei boa sorte, me ofereci no caso de qualquer emergência e passei pra outra mensagem.

Mais tarde, batendo um papo bem mais longo ao telefone com uma amiga brasileira, refletimos sobre o lado bom de não ter mais o corre-corre, estresse de horários, angústia por expectativas demasiadas. Agora, agoniamos pelos amontoados em comunidades. Me angustiei com uma reportagem da polícia sul africana tentando obrigar a população de Soweto a ficar em casa. “Você pode me matar. Como é que vamos ficar 6 pessoas o dia inteiro confinados em um espaço de 8 m2?” Ela me contou de como estava dividindo cestas de frutas e legumes com vizinhos idosos e de saídas para levar comida para o marido de uma amiga em comum, impossibilitada de voltar do Brasil.

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Falamos também dos diversos esquemas de solidariedade montados aqui e no Brasil. Trocamos figurinhas nas doações que estamos fazendo e como melhor apoiar as pessoas que trabalham com e para a gente. Foi uma conversa deliciosa. Aliás, com esta amiga, todas as conversas são deliciosas. Uma daquelas pessoas que ‘quando eu crescer quero ser como ela”. Todo mundo conhece uma. E se você não conhece, eu recomendo.

Também falamos de como somos privilegiadas. É muito privilégio, né? Não estou mais me referindo a minha amiga – se bem que é o maior privilégio , sim. Estou aqui pensando como somos privilegiados. Aliás, bato nesta tecla quase todos os dias há décadas. Antes era sou saudável, tive acesso a educação, tenho uma familia linda e sadia, tenho onde morar, não passo fome… Agora, isto é muito mais presente. E lembrei de um tweet que li de um médico indiano.

“Distanciamento social é um privilégio. Isto significa que você mora numa casa grande o suficiente para praticá-lo. Lavar as mãos é um privilégio. Você tem acesso à agua corrente. Gel sanitário é um privilégio. Quer dizer que você tem dinheiro pra comprá-lo. Confinamento é um privilégio. Sinal que você pode se dar ao luxo de não sair de casa. A maioria dos jeitos de lutar contra o coronavirus é apenas acessível aos afluentes. Em essência, uma doença que se espalhou pelo ricos voando pelo mundo vai matar milhões de pobres. Todos nós praticando distanciamento social em confinamento temos de apreciar o quão privilegiado nós somos. Muitos indianos não conseguem fazer nada disto”.

E sabemos muito bem que a India não está sozinha. Estamos vivendo uma história surreal. Mais uma vez a realidade dando uma surra em qualquer ficção. Fiquem em casa. Cuidem-se. E cuidem dos outros. Perto e longe de vocês, se puderem. E não tenham medo de pedir ajuda também. “A coisa mais corajosa que fiz foi pedir ajuda

E para terminar , como prometi ( a mim mesma), estou postando minha prática de piano – 1a semana . Continuo empenhada em aprender. Momentos calmos e compenetrados. Não sei se vai funcionar . O video está piscando muito .

3 Replies to “FOMO”

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