Mary Quant: um motim de vigor, energia e rebelião


“É dado a poucos afortunados nascer na hora certa, no lugar certo, com os talentos certos. Na moda recente, há três: Chanel, Dior e Mary Quant”. assim escreveu Ernestine Carter, uma da mais influentes jornalistas de moda das décadas de 50 e 60. Então, afortunado será também quem conseguir ir ao V&A (Victoria e Albert Museum) nos próximos 6 meses, hospedando duas exposições espetaculares sobre Dior e Quant.

Eu não entendo absolutamente bulhufas de moda. Claro que conheço os nomes mais famosos e até já fui a alguns desfiles na London Fashion Show. Mas o interesse por moda, e modismos em geral, é mesmo zero. Nunca, e aqui é nem uma vezinha sequer, comprei uma revista de moda. Não conheço as tendências, não estou nem aí pras “cores do ano” (existe isto?!). Uns anos atrás, entrei num salão de beleza em São Paulo e falei pra recepcionista. “Vim aqui ano passado e fiz uma escova com uma moça mas não lembro o nome dela”. A resposta veio sem nenhuma hesitação. ” Ah eu lembro, você é aquela que não gosta de revistas de moda, né?” Entenderam agora?

Esta ‘atitude’ é a mesma até chegar ‘a Mary Quant. Porque Quant não criou uma marca de roupas, ela criou uma nova sociedade. “ Eu não tive tempo para esperar o Women’s lib” (movimento de liberação feminina, disse uma vez. Isto mesmo, ela liberou uma geração inteira de mulheres. Que ela inventou a mini saia todo mundo sabe.

Sua loja Bazaar foi a maior responsável pelo grande buzz que foi a Kings Road nos Swinging Sixties. Chelsea virou um nome reconhecido mundialmente pelo seu espírito livre e maneira de vestir. Bazaar era o destino de toda mulher em busca de um look mais informal e confortável . Quant trouxe entretenimento para a moda. “É esta atitute questionadora que nos torna diferentes e nos dá liberdade de circulação e expressão”, explicava. Sabe aquela mesa onde eu coloquei o Oscar Wilde? Pois é, seria num dos bares na Kings Road nos anos 60. No doubt about it. E eu estaria de mini saia laranja, chapéu e botas de PVC. Mostrando a língua para todo mundo.

Ela quis criar roupas sem muitas costuras, ‘redondas’; sapatos confortáveis, cabelos que não parecessem ‘bolo de casamento’… “O propósito de roupas para mulher deveria ser 1) que você seja notada; 2) que seja sexy e 3) que você se sinta bem” . Minha ídala

Estão vendo o manual acima?

A Londres cinza do pós guerra transformou-se numa sociedade que queria arriscar; colorida, livre e confortavelmente vestida com Mary Quant. E, depois que as roupas mudaram, a ‘cara estava errada’ . Então ela criou uma linha de maquiagem que ficou ainda mais famosa do que suas roupas. Vinha com um manual de instrução. Gênio.

A exposição inclui mais de 200 itens, muitos doados por mulheres que guardaram vestidos, botas, chapéus, esmaltes por mais de 5 décadas!. Também tem muita coisa da coleção particular de Quant. E filmes da época que são absolutamente imperdíveis.

Este video mostra um pouco da exposição, filmes da época e depoimentos