Rei Tut: Só se morre duas vezes

No início de novembro, fui a Saatchi Gallery visitar a “Tutankamon -Tesouros de um Faraó Dourado” , extraordinária exposição contendo 150 artefatos originais da tumba descoberta em 1922 – 60 deles pela primeira vez fora do Egito. Tudo ali é de tirar o fôlego: a história do Faraó Menino, do Egito antigo em si, o luxo e perfeição de cada item, a curadoria, a VR do final, o fenomenal PR do evento e o preço do ingresso.

O que mais me marcou, porém, foi uma frase pronunciada logo na entrada, antes mesmo de eu ver um objeto sequer. ” Os egípcios acreditavam que se morre duas vezes: quando a alma sai do seu corpo e quando seu nome é pronunciado pela ultima vez. Ou seja, quando você é esquecido”(*). Arrepiei. Tinham esta clarividência mais de 3 mil anos atrás!

Pronto, dali em diante, o evento tomou um rumo só meu. Quando sua tumba foi literalmente desenterrada pelo explorador britânico Howard Carter e pelo financista Lord Carnarvon , foram encontrados 5.398 items! Historiadores explicam a manutenção do estado original por esta ser a única tumba faraônica do Vale dos Reis a não ter sido saqueada ao longo dos séculos.

Como assim? Todo este trabalho, esta dedicação, este luxo pra esquecerem dele? (mapa da tumba ao lado) Ninguém tinha ouvido falar no tal Rei Tut até encontrarem a tumba. Improvável que fosse um descuido, certo? Comecei a achar que alguém, algum governo uma elite, um grupo poderoso de desafetos tinha decidido que ele seria esquecido. Que ele morreria de vez. Então, o melhor jeito era apagar o nome dele da história. Não se falar mais nele.

Mesmo sendo um esquálido faraózinho que herdou o trono aos 9 anos, coberto de doenças, necessitado de bengala para se locomover e morto aos 20 anos , ainda tiveram todo este medo dele ficar pra história? Esconderam tanto ele que, quando apareceu, foi o único ainda com brilho e mistério. Acabou o mais estudado. E celebrado.

Enfim, moral da história (como se dizia antigamente): o que vale mesmo e deixar nossa marca em alguém. Se formos lembrados com carinho, gratidão, saudades, terá valido a pena.

Agora vejam alguns dos objetos desta expo: mesmo na ausência dos artefatos mais famosos do rei – a espetacular máscara mortuária de ouro de Tutankhamon e três caixões de ouro são proibidos pela lei egípcia de deixar o país – você vai ficar boquiaberto.

Veja o video explicando exatamente isto. Por que era desconhecido antes? E como o descobrimento da tumba o transformou no maior nome do Egito Antigo.

(*) Quando coloquei esta frase no google apareceu que era do Banski. Dá pra acreditar?!?! Será que a nossa história vai ser contada pelo monte de lixo que se vê pela WWW ?!

5 Replies to “Rei Tut: Só se morre duas vezes”

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